Ah, o verão!
A alma se alarga
As saias se encurtam
O sol se mostra pleno em seu vigor
Banhando tudo o que há por sobre a terra de beleza
Tudo é muito verde e muito azul no verão
Paira no ar qualquer magia, qualquer beleza mística e íntima
Que se faz perceber no canto voador dos pássaros
E no silêncio multicolorido das flores
Ah, o verão!
Este que é, em sua essência, uma pluralidade, uma riqueza,
Uma abundância de tudo
A vida que se expande e transborda
O rio que não cabe em seu leito e transborda
O mar que não cabe em seu leito
A mata que, de tão verde, não cabe em si
O seio que transborda,
Como o mar, como a mata, como o rio,
Como a chuva que, de tão alegre,
Não se contém e cai abundante
Para encontrar a mata,
E depois o rio,
E depois o mar,
E depois o seio, e depois o céu.
Mas o verão é, acima de tudo, uma alegria
Uma alegria rica, simples, abusada e despudorada
Uma alegria despretensiosa, inexplicável, inexprimível e sem razão de ser
Uma alegria sem cabimento como toda a alegria.
No verão minha alma aguça os sentidos
E enche-se de olhos para as moças que passam
E os olhos enchem-se de mãos
E as mãos enchem-se de ternura e desejos
E os desejos enchem-se de moças e de sol
O sol e as moças
Confundem meus olhos e torcem-me o pescoço
É lindo observá-las ao sol andando alegres e acaloradas
Morenas, lindas,
As faces coradas, os seios saltando em busca de luz
Como as árvores.
Passeiam em bandos, às vezes, e se envergonham ligeiramente
Se o sol lhes arranca uma gota de suor que escorre pelo rosto.
Estão sempre esticando as saias porque andam um pouco mais nuas
Do que se sentiriam à vontade.
Temem que seu segredo seja revelado.
O grande segredo, o grande mistério
Da mulher.
O segredo guardado a sete chaves oculto no corpo e nos olhos.
O segredo cobiçado pelo sol que, no verão, abre as portas dos templos de afrodite
Como um invasor bárbaro.
E no verão as moças estão cheias de segredinhos.
Cochicham e dão risadas, orgulhosas de sua feminilidade despida e aguçada pelo verão.
Felizes de despertar a fome e fúria dos homens, têm a benção da deusa,
E meu coração enlouquece!
Ah, o verão!! O verão!!
Esta tempestade de paz, gozo e bem estar
É apolo, o deus sol, que do alto da sua glória e poder
Ri da sua própria natureza efêmera
Como se isto tudo fosse eterno.
Quanto a mim, só espero poder carregar
Para o inverno dos meus dias vindouros
Este calor no coração, cheio de porvir
E de vida.
André Terra,
Praia da Ferrugem, Santa Catarina. Janeiro de 2008
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