Ó deuses do olimpo e entidades supremas dos céus que fizestes o mundo e todas as coisas
Ó mãe natureza que reside em todas as partes e em nós mesmos, tu que és tudo o que há
Ó grandes mistérios ocultos que regem o universo cuja natureza desconheço por completo
Ó deus pai todo poderoso criador dos céus, dos mares e das terras,
Vós todos, ouçam minhas súplicas e esclareçam-me a dúvida torturante:
Por que fizestes desta maneira esta criatura que me passa diante dos olhos,
Esta moça, esta fêmea, esta que é meu desejo e meu túmulo?
Por que haveria ela de me embelezar a paisagem e a alma,
De despertar a aventura adormecida de meu peito e
Empregnar-me a carne e alimentar-se de meu sangue e
Esvaziar-me, por fim, a mesma alma que me deu outrora?
Por que a criastes desta forma, para povoar meus pensamentos e minhas desilusões?
Por que ela leva-me às nuvens e me deixa de lá despencar no vazio?
Por que enchestes-na de seios e de curvas que me atiçam e negam-se a mim simultaneamente?
Pois vos digo que é ela o veneno e o antídoto e o anti-antídoto,
A antítese, propriamente dita, que nega-se a si mesma, afirmando-se a todo momento.
Ó deuses todos e divindades sobrenaturais iluminem-me pois nada compreendo
Se esta que me trás a vida e a morte é azar e sorte, gozo e confinamento.
Se ela é o perfume das flores primaveris de onde vêm então esse cheiro fétido de podridão?
E de onde então vêm a alegria tão pura e simples que extravasa do seu sorriso
Quando seus olhos, por um momento, são meus?
Por que então haveria de ser ela quem traz a lua cheia, e não somente traz,
Mas quem é a própria lua e o céu e o mar?
Sim, o mar. O mar. Ela é o mar. E as ondas, e a terra, e os pássaros, e as flores,
E os ventos, e plantas e animais e
Todas as coisas outras belas e lindas são ela.
Ela é tudo e, por fim, até mesmo vós, ó deuses e entidades supremas,
Ela encerra em si a vós todos, pois sem ela não há natureza, nem cores,
Nem luas, nem mares, nem deuses de nenhuma natureza,
Pois sem ela não há nada.
Por ela vivo e por ela, afrodite, hei de morrer um dia.
Que o diabo a carregue, a maldita, e amaldiçõe e lhe dê morte cruel
E que deus a abençõe e guie, a bendita, e lhe dê a vida eterna,
A ela,
A mulher.
André Terra, dezembro de 2007
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