Do amor ao Brasil
O amor ao Brasil é o amor à diversidade. É o amor ao entendimento, à coexistência. O Brasil é tudo aquilo que não é uma coisa só e, nesse sentido, o amor ao Brasil nada mais é que o amor ao mundo inteiro. O amor ao Brasil é o próprio amor. Tem por natureza a falta de exclusividade, ele abraça. Nunca exclui. O amor ao Brasil é inseparável do amor pelas outras nações. O Brasil é formado por outras nações, por outras culturas. O Brasil nunca foi e nunca poderá ser maior ou menor que nenhuma outra nação. Não é necessário ser brasileiro para ser brasileiro. O Brasil é o sentimento de “todo mundo junto”. O Brasil é um convite para uma festa, para uma amizade. E daí vem sua rica e variada alegria que é, por sua vez, o subproduto da união, da sensação de pertencimento. Todo mundo pertence ao Brasil. Um país de todos. Sim! Eu gosto do slogan. Não é necessário estar no Brasil para estar no Brasil. O Brasil é aquilo que não tem fronteiras. Nada o separa senão a montanha. Nada o limita senão o mar. Nada pode cortá-lo senão o rio. O Brasil é aquilo que não tem nacionalidade. O Brasil é uma porta aberta. O Brasil é uma mistura altamente solúvel.
E se não é, não é Brasil! E muitas vezes o Brasil se recusa a ser Brasil. Muitas vezes o Brasil se perde na arrogância, no individualismo. Mas o Brasil não é o ressentimento ao estrangeiro. O Brasil não é a uniformidade cultural. O Brasil não tem hierarquias. O Brasil é aquele que planta orquídeas e samambaias no mesmo jardim. O Brasil é aquele que abraça o gaúcho separatista. O Brasil é aquele que se estende até o Acre e vai além. O Brasil é aquele que se perde na mata. O Brasil é aquele que não sabe de si. É aquele que é ingênuo na sua habilidade de perdoar. O Brasil é aquele que tem Jesus, tem Tupã e Iemanjá. O Brasil tem a benção dos orixás. Sua luta é capoeira, se faz em roda com música e palmas. Sua luta produz amizade. Assim sendo, o Brasil não pode ser senão o oposto do totalitarismo, senão o oposto do racismo, senão o oposto do fascismo, senão o oposto da rigidez e da intransigência, senão o oposto da guerra. O Brasil não quer formalidade. O Brasil faz festa na rua. O Brasil joga bola descalço. O Brasil chora de alegria e ri de verdade. O Brasil gosta de mato, de bicho e de índio. O Brasil é aquele que se envergonha da escravidão, mas se orgulha do sangue e do suor que lhe custaram. O Brasil é aquele que se envergonha do massacre da guerra do Paraguai. O Brasil é aquele que se envergonha do extermínio dos seus povos nativos. O Brasil é aquele que se envergonha da devastação das florestas. O Brasil é aquele que se envergonha das suas injustiças, das suas desigualdades, das suas deslealdades. Mas o Brasil se orgulha dos seus filhos. O Brasil se orgulha do seu caminho. O Brasil é aquele que nunca se envergonha da sua nudez! O Brasil não vê pecado. O Brasil é criança.
O Brasil é aquele que se envergonha de se envergonhar de si mesmo! E, além disso, o Brasil é aquele que se orgulha de si. O Brasil veste a camisa e jura de coração. O Brasil não se entrega, não desiste nunca, mas também nunca recusa se ajoelhar. O Brasil está sempre de joelhos. O Brasil não é grande. É pequeno. Pequenininho. Cabe aqui ó. Mas sempre tem um espaço na rede, um feijãozinho pra repartir e sombra pra dois.
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