Soneto da coragem
Se não se fizer o que
Se é livre para fazer,
Então como saber
Quem se é livre para ser?
Quero viver, não na miséria de um bem estar
Nem no conforto do verbo aceito,
Mas na dor rica de um despertar
Dono da nudez de meu próprio peito.
Quero banquetear-me, vida, desta fartura de vento,
Do sim, do não, do encontro e da partida.
Pois como ter paz sem enfrentar tormento
E andar livre sem caminhos vãos?
Por que furtar-me de tal vida ensandecida
Se é essa loucura que me faz são?
André Terra
Rio de Janeiro, junho / 2009